Ricardo Cianciaruso é economista pela FEA-USP, publicitário pela ESPM e com especialização em marketing pela UCLA. Seu blog, “É Nóis”, é dedicado ao incrível poder de compartilhar, colaborar e interagir do consumidor hoje.

 
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Fui

Me lembro, agora, do título de um artigo que li na FOLIO (uma revista sobre a indústria de revistas) em 2006. Ele dizia:
“Blogs Require Time, Dedication”. Eu me rendo a esse título.

Vou dar um tempo. Minha vida aqui na Editora Globo ganhou mais trabalho. 2008 é o nosso ano digital. Estamos reformulando vários sites e eu, como Gerente de Conteúdo Digital da Editora, não estou mais conseguindo dedicar-me ao blog como merecem vocês leitores.

Eu fui, mas o histórico do blog fica. E o site da Epoca Negócios vai continuar trazendo temas similares ao do blog. Fiquem ligados.

22/02/2008

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Sinal dos nossos tempos...

Li no
Techcrunch que, segundo um instituto de estatísticas americano chamado NCHS, mais de 2,2 milhões de pessoas casam-se todos os anos nos Estados Unidos. Para atender a esse mercado, existe uma indústria gigantesca.

Mais de 1,3 milhão de pessoas, também, divorciam-se por ano nos EUA. Muita gente, né? Um amigo, casado, me diz que todos os pais dos amiguinhos de seu filho Pedro, 7 anos, são separados. Filho de pais casados, o garoto é uma exceção na escolinha em que estuda, em São Paulo.

Então, para atender essa multidão de separados, foi lançado um site chamado Divorce 360. Além de fornecer todas as informações que uma pessoa precisa para se separar, o site explora a troca de informações, colaboração e interatividade entre seus usuários. Achei o site inusitado. É o poder dos separados na era digital. Vale dar uma espiada.


Note como os americanos enxergam, antes dos outros, um “business” nessa nova realidade de mercado. Os caras são bons.

04/12/2007

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Só rindo

Hoje vou fugir do tema do blog. É que nesse final de semana tem rodada decisiva do campeonato brasileiro. Para aliviar um pouco a tensão, preparei uma coletânea de vídeos engraçados que estão por aí na internet. Pura comédia!









01/12/2007

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O poder do estudante na era digital

Zé Moleza fecha com grupo espanhol para conquistar, também, a Espanha e a América Latina.


Zé Moleza é um polêmico e bem-sucedido site, que permite a uma legião de estudantes acessar mais de 23 mil trabalhos escolares, monografias, resumos, papers, resenhas e fichamentos. Um estudante em Roraima pode acessar um trabalho de Biologia de um estudante de São Paulo, por exemplo.




“Tem muito professor que recomenda o Zé Moleza”, diz Leonardo Martins, um dos sócios do site. “Tudo depende da linha educacional”, completa. Concordo. No fundo, acho que cabe a cada estudante ter maturidade suficiente para usar o Zé Moleza como referência e não como “copy and paste”. Penso assim, pois no futuro quem vai sofrer as conseqüências disso é o próprio aluno. Por outro lado, é inegável que a maioria dos estudantes não temessa consciência. Eles usam o Zé Moleza para copiar trabalhos uns dos outros. Tá aí um dilema para os pais da era digital. Para meu amigo Saulo, o Zé Moleza é uma “resposta inteligente dos alunos a professores ultrapassados que pedem trabalhos à moda antiga”. Se você tiver uma opinião, por favor, deixe-a no campo de comentários do blog.

Mas, polêmica à parte, o Zé Moleza como negócio parece ir muito bem. Tudo começou em 2000, quando os estudantes Alessandro Martins e seu amigo Maurício Narras colocaram o trabalho de monografia “A Questão da Palestina”, de Narras, na internet e descobriram que, sem divulgação, estavam recebendo 100 visitas por dia. Foi aí que surgiu a idéia do Zé Moleza. Hoje, já com 30 funcionários, o site recebe 500 mil usuários únicos por dia, segundo a empresa.

Além da versão brasileira, o Zé Moleza está disponível em Portugal, e a previsão é que, em março de 2008, seja lançada a versão em espanhol. Na semana passada, a empresa fechou um acordo com a multinacional espanhola Elogia, que agora é uma das sócias do negócio.

É interessante notar que, diferentemente de seus pares internacionais – Rincon Del Vago e Monografias – que oferecem esse tipo de serviço gratuitamente, o Zé Moleza é pago. Para ter acesso à base de trabalhos, o estudante brasileiro paga R$ 49,90 por ano. Apenas 10% da receita da empresa vem de publicidade; 90% vem dos usuários, que podem, inclusive, comprar camisetas do Zé Moleza e fazer “uma moral” nas suas escolas. São mais de 20 modelos, todos ao preço de R$22,00.

É o poder de colaboração do estudante na era digital!!!

23/11/2007

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O Google tem US$10 milhões para você (...e o pioneiro exemplo da Goldcorp)

Uma semana após anunciar seu sistema operacional para celulares, o
Android, o Google lança um concurso que vai dar U$10 milhões em prêmios para quem construir aplicativos de celular que “surpreendam” e “deleitem” seus usuários. É o “Android Developer Challenge” (todos os detalhes no link anterior)



Para empresas como o Google, o chamado “Crowdsourcing” - ou terceirização para multidão - já faz parta do dia a dia. Está no DNA da empresa. Para mim o caso mais emblemático desse tipo de iniciativa, citado em livros como o Wikinomics e Mavericks at Work, é o da mineradora canadense Goldcorp. Se você achou essa iniciativa do Google interessante, vale conhecer o pioneiro exemplo da Goldcorp.

O caso Goldcorp

O ano era 1999. A, então, pequena mineradora com sede em Toronto, Canadá, vivia uma situação delicada. O mercado estava retraído. A empresa lutava para gerenciar suas próprias dívidas em meio a seguidas greves de funcionários e altíssimos custos de produção. Sem muita perspectiva para pesquisar e prospectar novas minas de ouro em sua propriedade, analistas diziam que a Goldcorp estava morrendo. Para piorar (ou melhorar) a situação, seu dono e CEO, Rob McEwen, não tinha muita experiência no mercado de mineração.

Foi então que ele resolveu tirar alguns dias para participar de uma conferência com outros presidentes de empresa no MIT. Lá ficou encantado com o caso de software livre do Linux. Inspirado nesse espírito de abertura e colaboração, McEwen teve uma idéia ousada. Se os funcionários da Goldcorp não tem condições de pesquisar e prospectar novas minas ouro, talvez alguém tenha, pensou ele.

Decidiu, então, colocar na internet todas as informações possíveis e imagináveis sobre os 55.000 acres da Goldcorp. Plantas geológicas, fotos, dados sobre a região, informações sobre as minas já existentes...etc. Na época isso era uma loucura. Sigilo, confidencialidade e proteção a informação eram características marcantes dessa indústria. Com tudo aberto na Internet, a empresa criou um concurso, o Goldcorp Challenge, que prometia distribuir U$575.000 em prêmios para quem enviasse os melhores métodos e estimativas para prospecção de ouro na propriedade da Goldcorp. A corrida ao ouro da era digital estava lançada.



A empresa apostava que a iniciativa encontraria alguma ressonância apenas entre os geólogos. Porém, os projetos chegaram de estudantes, consultores, militares e matemáticos. “Nós aplicamos matemática, física avançada, computação gráfica, sistemas inteligentes, equações orgânicas e inorgânicas. Ali haviam competências que eu nunca havia visto antes na indústria” afirmou McEwen a época. Foram identificados 110 pontos potencias de extração na propridade, 50% desses pontos jamais haviam sido identificados pela emrpesa. Mais de 80% desses pontos tinham significante quantidade de ouro.

Estima-se que o concurso proporcionou um economia de 2 a 3 anos de trabalho da empresa. A iniciativa alavancou os negócios da Goldcorp. A problemática coorporação que na época faturava US$100 milhões de dólares, hoje fatura U$2 bilhões.


Rob McEwen, um inovador

Acho esse tipo de exemplo fascinante. Uma empresa quase falida, que dá a volta por cima a partir de uma idéia criativa de um empreendedor inovador e ousado.

Mais sobre o Google

Voltando ao exemplo do Google, o tempo vai dizer se o Google conseguirá, com a ajudada de anônimos, avançar alguns anos em poucos meses nesse fervilhante mundo de aplicativos para celular. Eu acho que vai.

Para saber mais sobre a iniciativa do Google, abaixo está o vídeo oficial em que o desafio é lançado:





20/11/2007

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Anunciado o clube a ser comprado pelo MyFootballClub

Atualizando o
post sobre o MyFootballClub, foi anunciado hoje o time a ser comprado. É o Ebbsfleet United FC. O time ocupa, atualmente, a nona colocação no campeonato da “Conference”, o equivalente a 5° divisão do futebol inglês. O MyFootballClub é uma comunidade que pretende revolucionar o futebol ao criar um clube gerido democraticamente - dentro e fora de campo - pelos seus torcedores.


O escudo do Ebbsfleet United FC

Dos 53 mil torcedores inicialmente inscritos no site, aproximadamente 20 mil efetivaram o seu pagamento de 35 libras. Esse valor foi suficiente para estruturar a negociação. O site continua aberto para a adesão (e pagamento) de novos torcedores. O acordo só será efetivado nas próximas semanas, após uma “due diligence” que os representantes do MyFootballClub farão no Ebbsfleet United FC.

Para sair da “Conference” (5° divisão) e um dia chegar na “Premier League” (1° divisão), o time terá que passar pela “League Two” (4° divisão), “League One” (3° divisão) e pela “Championship” (2° divisão). Será que os torcedores vão conseguir?

Mais informações estão nas matérias do Telegraph e da BBC. Ambas em inglês.

13/11/2007

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Táxi colaborativo comemora 1 ano



Viver em Nova York é muito caro. Pegar um táxi de casa até o aeroporto pode custar de U$ 30 a U$ 100. Uma boa facada, né? Mas para aqueles que não querem gastar tudo isso, existe o
Hitchsters.com, um serviço criativo que permite às pessoas “racharem” corridas de táxi com os seus vizinhos desconhecidos. É o poder de colaboração do consumidor da era digital. É Nóis!

O usuário do Hitchsters.com digita data, hora e dia do seu vôo no site. Aí aguarda aparecerem outros usuários, que moram por perto e queiram “rachar” um táxi para o aeroporto em horário parecido. Haja criatividade. Confesso que para a minha geração é difícil comprar uma idéia dessas. Mas aposto que para os meus filhos isso pode ser muito natural.



Gloria Crawford e seu marido, Terry Crawford, os fundadores do negócio

O serviço, que vai comemorar 1 ano de vida em novembro, já funciona para moradores de Manhattan e do Brooklyn. É interessante notar que o Hitchsters.com confessa que ainda não sabe como vai ganhar dinheiro. Talvez com publicidade? O sincero trecho abaixo, extraído da FAQ do site, é engraçado.

“How does hitchsters.com make money?

We are trying to figure that out. Let us know if you would like to advertise with us – we think a lot of pretty cool people look at our site.”


Até agora o site não tem propaganda. Mas se o serviço conquistar massa crítica, eu acho que existem “n” empresas dispostas a patrocinar esse tipo de ajuda para o controle de emissão de gás carbônico. Será?

Esse post foi uma dica do Guilherme, leitor desse blog. Não conhecia esse serviço. Valeu. Tudo a ver com o "É Nóis".

10/11/2007

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"É Nóis" em Power Point

Ontem estive no 2° Meeting Brasileiro de Assessoria de Imprensa e Relações com a Mídia. Lá tive o prazer de fazer uma apresentação sobre esse tal “Poder do Consumidor na Era Digital”, que é a razão de existir desse blog.

Pode-se dizer que a apresentação foi um raciocínio mais organizado do que venho postando nesse blog desde abril de 2007. Para fazer o download do Power Point basta clicar no link abaixo:

“É Nóis"
enois.ppt

07/11/2007

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O vídeo de animais mais visto do mundo

O vídeo abaixo já é um “case” do poder das pessoas comuns na era digital. Foi filmado pelo turista David Budzinski e postado no You Tube pelo usuário Jason275. Mostra a batalha de um grupo de búfalos contra leões na reserva de Kruger, na África do Sul.

A cena já atraiu mais de 18 milhões de visualizações no You Tube e a sua popularidade cresce a cada nova veiculação na mídia, blogs e sites espalhados ao redor do mundo. Já é o vídeo mais visto do mundo, em todos os tempos, na categoria animais do You Tube.

Isso, sim, é um viral.

Dura 8 minutos, mas vale vê-lo até o fim.



03/11/2007

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O caso da Gaivota que come Doritos

Colocar um produto em evidência é uma das missões mais importantes de um profissional de marketing. No passado, as principais armas de comunicação estavam na mídia tradicional: TV, Rádio, Jornal e Revistas. Ano após ano, esse repertório de armas de comunicação vem aumentando. O último “buzz” da comunicação é o chamado viral de internet.

Ontem tomei conhecimento do viral da Gaivota que come Doritos. Diz a lenda que uma gaivota desenvolveu o hábito de, todos os dias, roubar um pacotinho de Doritos sabor queijo numa loja de conveniência da Escócia. Ainda tenho as minhas dúvidas se essa Gaivota não é uma criativa ação de marketing de guerrilha da Elma Chips mundial. Mas a Edelman, empresa de relações públicas que atende a marca Doritos no Brasil, diz que esse vídeo chegou aqui por acaso. “Se fosse algo pré-fabricado, nós receberíamos um pedido formal do exterior para divulgá-lo”, afirma Thiane Loureiro, gerente da Edelman. Independentemente dessa dúvida, o fato concreto é que essa história espalhou. Milhares de pessoas já viram essa simpática gaivota que come Doritos em blogs, sites e até na televisão. Pegou.

Deu num telejornal escocês

A Gaivota espera o atendente se distrair, entra na loja e agarra um pacotinho de Doritos

Deu no inglês “The SUN”



Por algum motivo, ela só rouba Doritos sabor queijo

Um amigo que trabalha numa grande agência de publicidade diz que 99% de seus clientes pedem “um viralzinho”. Virou moda. Mas, como dito em outro post deste blog, não dá para encomendar um viral. Isso é quase impossível. É como combinar a jogada ensaiada com os russos, como disse Garrincha para Feola em 1958. O boca aboca digital depende da adesão popular, e isso não dá para ser encomendado.

Verdadeiro ou não, esse viral da Gaivota que come Doritos pegou.

01/11/2007

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O novo poder de agregar


Homepage do Newser, o agregador feito por jornalistas

Recebi de um amigo o link da
Newser, um novo agregador de notícias fundado por Michael Wolff colunista de mídia da revista Vanity Fair. Gostei. Ainda só existe em inglês, mas vale conhecer. O Newser tem dois grandes diferenciais:

1. Inteligência natural
É um ser humano, e não uma programação dotada de inteligência artificial com a do Google News, quem decide o que é mais importante e por isso deve ir para a homepage do agregador. Esse ser humano é um editor, que faz ainda um resumo da notícia com link para aqueles leitores que quiserem se aprofundar.

2. Personalização
O leitor pode personalizar a sua homepage usando um criativo termômetro que mede o “hard news” e o “soft news”. Simples e muito legal.

Ao navegar pelo Newser me dei conta da importância de “agregar” como um novo conceito fundamental da era digital. Já existem “n” exemplos recentes de produtos editorias, cuja principal pegada é a de agregar. Tem os agregadores de RSS como o iGoogle ou o Netvibes. Tem os agregadores escritos por jornalistas como o The Ag da TIME, os briefings da SLATE, a notícia em 360° de Época Negócios ou o “O Filtro” de Época. Tem sites, como Digg.com, que faz da multidão a inteligência agregadora. Até no mundo impresso surgiram revistas, como a inglesa The Week ou a Revista da Semana, cuja proposta principal de valor editorial é esse conceito de agregar.

Conclusão

Antes um leitor precisava fuçar, vasculhar, descobrir e encontrar as notícias que lhe interessavam em várias publicações diferentes. Dava um trabalhão. Hoje as notícias podem vir até as pessoas de modo resumido, hierarquizado, personalizado e com links para múltiplas fontes de informação. Agregar parece ser o nome do jogo.


30/10/2007

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Futebol 2.0

Uma comunidade de torcedores de futebol com autoridade para decidir a escalação dos 11 jogadores que entrarão em campo. Essa é a proposta do
MyFootballClub, um time inglês que, com a ajuda da internet, quer revolucionar o futebol ao criar um clube democraticamente gerido – dentro e fora de campo - pelos seus torcedores.

A idéia foi concebida pelo ex jornalista esportivo William Brooks, 36 anos e torcedor fanático do Fulham. “Numa noite numa mesa de bar eu percebi que com a colaboração de anônimos seria possível levantar um valor fenomenal de dinheiro na internet e que isso poderia ser uma forma fascinante de gerir um clube”, disse ele ao jornal inglês “The Times”.


William Brooks, o idealizador. Utopia ou realidade?

O site foi montado em abril de 2007. O objetivo era reunir 50.000 torcedores dispostos a pagar 35 libras (aprox. de R$130) cada um. Parte desse valor arrecadado, 1,4 milhão de libras (aprox. R$ 5 milhões), seria usado para comprar um clube provavelmente do equivalente a uma segunda ou terceira divisão do futebol inglês.

Em menos de 4 meses o MyFootballClub reuniu 53.051 pessoas. Hoje William Brooks está trabalhando para comprar um clube, o que será, também, uma decisão dos torcedores, desde que o clube aceite a oferta. Se até agosto de 2008 nenhuma negociação for concluída, o dinheiro será devolvido aos torcedores.

Vale a pena navegar pelo site. É uma idéia muito criativa e que impressiona pela transparência. Muito legal. Num momento em que os grandes clubes brasileiros, notadamente o Corinthians, sofrem as conseqüências de gestões obscuras e fraudulentas, seria maravilhoso que essa utopia inglesa desse certo. Cartolas e treinadores, preparem-se.

Aproveito para perguntar para a pequena, porém fiel, comunidade que frequenta esse blog, se vocês acham que essa idéia vai dar certo. Será?




Esse vídeo, de um telejornal inglês, traz mais detalhes da idéia. Ele mostra Tim Glynne-Jones que é um dos membros do MyFootballClub e não o "the man behind the idea". Esse vídeo está no site MyFootballClub, inclusive.


21/10/2007

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“EU” acredito mais em “VOCÊ”


“ELA” acredita mais em “NELA”

Uma nova pesquisa da
Nielsen realizada com 26 mil pessoas em 47 países concluiu que as pessoas acreditam muito mais na recomendação de outros consumidores do que na propaganda. Na média 78% dos entrevistados disseram acreditar – completamente ou parcialmente - na recomendação de outros consumidores. Em países da Ásia esse grau de confiança é ainda maior: 93% em Hong Kong, 91% em Taiwan e 89% na Indonésia. Quando essa recomendação ocorre na Internet, entretanto, o índice cai para 61% na média global. Mas esse número é, ainda, muito alto quando comparado ao nível de confiança de um banner de propaganda online que é de apenas 26%.

Interessante que o Brasil, junto com a Indonésia, é o país onde mais se acredita na propaganda. Segundo a pesquisa, a média de confiança na propagando no Brasil é de 67%. Em todos os outros 45 países pesquisados esse índice é inferior ao brasileiro. Na Itália, por exemplo, só 32% das pessoas acreditam em propagandas.

Sinceramente eu nunca gostei de pesquisas generalistas. Tenho alguma dificuldade de entender e acreditar que genericamente 78% das pessoas acreditam em outras pessoas. Mas é inegável que esse tipo de pesquisa ajuda a reforçar a tese defendida por esse blog. Se as pessoas acreditam bastante umas nas outras, e se no mundo digital as pessoas estão cada vez mais interconectadas, portanto, o impacto desse elo de confiança nas vendas, na construção e destruição de marcas será a cada dia maior. Exemplos não faltam. Muitos deles estão nesse blog. É o Poder do Consumidor na Era Digital. “É Nóis”!

Quem quiser se aprofundar, pode baixar o sumário executivo da pesquisa da Nielsen TrustinAdvertisingOct07.pdf.

15/10/2007

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Vizinhos podres

Um novo site está causando buzz na web. É o
“Rotten Neighbor” ou vizinhos podres. Fundado em julho por Brant Walker, 27 anos, o site promete ajudar quem está procurando um imóvel a evitar futuros vizinhos problemáticos. Ao descobrir um vizinho problema a pessoa evita que o sonho de uma casa nova se transforme num pesadelo por causa de um mala que mora ao lado. Parece piada, mas é verdade.



Segundo o Google Trends, a palavra “Rotten Neighbor” foi o segundo termo mais procurado nos EUA dia 8 de Outubro. Interessante como uma idéia original viaja rápido, né? Só resta saber se essa é uma idéia de girico. Eu tenho as minhas dúvidas. As pessoas tem que colaborar entre si. Mas se uma pessoa denuncia o seu vizinho, ela estará desvalorizando a sua propriedade. Acho difícil pegar. Talvez funcione para aqueles inquilinos que estão deixando uma locação putos da vida com a sua vizinhança. Outro problema é controlar o que é verdade ou mentira?

De qualquer maneira as crenças do “Rotten Neighbor” são bem interessantes:
- Corretores nunca vão te avisar sobre maus vizinhos
- Se um mau vizinho existe, essa informação tem que estar disponível e acessível para todos.
- Quanto mais as pessoas colaborarem, melhor será o site (e melhor vida de todos)

Como o site vai fazer dinheiro?

Querem ganhar com a venda de publicidade para a indústria imobiliária. Segundo o site, esse mercado gasta 12 bilhões de dólares por ano com propaganda e eles querem uma fatia desse bolo. O Rotten Neighbor deixa claro que não vai ganhar um centavo sobre transação. Eles não são corretores. Querem apenas ajudar quem está procurando um imóvel e não entrar numa roubada.

Você colaboraria com um site desses?


P.S.: Descobri esse site no ótimo blog do Marcelo Bernades.

09/10/2007

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7 negócios inspiradores

A edição desse mês da EPOCA NEGÓCIOS traz uma interessante
reportagem sobre o tal “poder do consumidor na digital”. Vale ler. E vale ouvir o podcast “Por Trás da Reportagem” com os jornalistas que trabalharam nessa matéria.

O blogueiro que aqui escreve fez uma pequena colaboração para essa matéria. Listei 7 empresas com modelos de negócios que têm a web 2.0 em seu DNA. Muitos dessas empresas já apareceram nesse blog. Outras ainda não.

Etsy
www.etsy.com
Origem - Nova York, EUA
Setor - E-commerce



É talvez o único site de e-commerce especializado em artesanato do mundo. Lá as pessoas vendem de tudo. A única exigência é que o produto seja feito à mão. Segundo oFinancial Times, as vendas do Etsy já superaram os US$ 10 milhões de dólares, com 360 mil usuários em mais de 60 países. O site vale uma visita só para ver a escolha de produtos com base em palheta de cores.

Curiosidade - Sua missão é "dar poder ao máximo possível de pessoas, para que elas façam dinheiro vendendo o que elas próprias produzem".

Threadless
www.threadless.com
Origem - Chicago, EUA
Setor - Bancário



O Threadless - sem linha, em português - é um endereço eletrônico que vende camisetas de um jeito diferente. Toda semana, a empresa recebe centenas de desenhos de designers amadores e profissionais. Esses desenhos são publicados no site e submetidos a uma votação popular. As camisetas mais votadas entram em produção com o nome do designer na etiqueta, e o vencedor da semana ganha US$ 2 mil. Em 2006, o Threadless apareceu num paper do MIT como grande exemplo de terceirização de tarefas para a multidão, o chamado “crowdsourcing”.

Curiosidade - No Brasil, o site www.camiseteria.com.br faz algo parecido. O prêmio é de R$ 1 mil.


Zopa
www.zopa.com
Origem - Londres, Inglaterra
Setor - Bancário



O Zopa aproxima quem precisa de dinheiro daqueles que querem emprestar . É o chamado empréstimo "peer to peer". Como o Zopa não tem o custo de overhead de um banco, consegue taxas melhores para ambas as partes. Quem pega dinheiro emprestado paga 0,5% ao Zopa, no ato do empréstimo. Quem empresta - ou aplica - paga uma taxa de administração de 0,5% a ano. O risco é diversificado, pois o Zopa aloca o dinheiro de quem empresta no bolso de várias pessoas. 150 mil pessoas já utilizam esse serviço na Inglaterra.

Curiosidade - Pela legislação brasileira, o Zopa teria problemas para se instalar por aqui. Seu modelo de negócios, que fomenta o empréstimo um a um, poderia ser considerado agiotagem.

Igglo
www.igglo.com
Origem - Helsinque, Finlândia
Setor - Imobiliário



Os finlandeses da Igglo vendem casas que não estão à venda. Todos os imóveis de Helsinque estão em seu website com endereço, mapa, fotos e imagens de satélite. Assim, potenciais compradores podem deixar ofertas de compra para imóveis que não estão necessariamente disponíveis. E os atuais proprietários podem se interessar por uma oferta. Se o negócio sair, a empresa leva uma comissão de 2%, metade do valor que uma corretora tradicional cobraria. O serviço é oferecido hoje apenas na Finlândia e Noruega.
Curiosidade>>>"Sua casa já está no Igglo" é o slogan deles.

Craigslist
www.craigslist.org
Origem - São Francisco, EUA
Setor - Classificados

Craig Newmark sacou antes de todos que a internet poderia aproximar comprador e vendedor sem custo para as partes. Em 1995, criou um fórum online associado a um site de classificados na cidade de São Francisco, EUA. A comunidade cresceu no boca-a-boca e hoje está presente em 450 cidades. O site parece amador, mas funciona. Nele quase tudo é grátis. Apenas a oferta de empregos em sete cidades e a oferta de apartamentos em Nova York são pagas. Em 2004, o e-Bay comprou 25% do Craigslist.

Curiosidade - Com apenas 23 funcionários, o site é o sétimo mais acessado do mundo na língua inglesa. Contabiliza 8 bilhões de page views.

Facebook
www.facebook.com
Origem - Boston, EUA
Setor - Comunidade



Nascida nos dormitórios de Harvard em 2004, a comunidade social que mais cresce no mundo - 200 mil novas pessoas por dia - já tem impressionantes 41 milhões de usuários ativos. Sua sacada foi tornar-se uma plataforma aberta e permitir aos usuários construir e integrar novos aplicativos. Tem muito mais recursos que os seus rivais Orkut e MySpace. Seu modelo de receitas é a publicidade.

Curiosidade - Seu fundador, o garoto de 23 anos Mark Zuckerberg, sempre diz que o Facebook não é uma comundiade social. É, sim, uma ferramenta para facilitar o fluxo de informação entre amigos, familiares e colegas de trabalho.

Google
www.google.com
Origem - Mountain View, EUA
Setor - Busca



É o exemplo mais bem-sucedido da web. 2.0. Seus produtos são testados por anônimos e divulgados no boca-a-boca digital. Os links patrocinados, responsáveis por 99% das receitas da empresa, são vendidos e comprados num modelo de leilão self-service. A empresa é, ainda, dona do You Tube, um ícone da Web 2.0. O Google não para de crescer. Saiu de um faturamento de US$19 milhões em 2000 para US$10.6 bilhões em 2006, quando reportou um lucro de US$ 3 bilhões.

Curiosidade - 60% da receita de 2006 vieram de links patrocinados, posicionados nas páginas de busca do próprio Google. 40% veio de sites parceiros que vão dos grandes grupos de mídia a blogueiros.

05/10/2007

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Mudança fundamental

Recebi do Thiago, leitor desse blog, um link bem interesse sobre a web 2.0. É o site
Go2web20, um diretório muito legal com várias empresas que tem a internet colaborativa no DNA do seu modelo de negócios. Vale fuçar.



Ao entrar no site e passear por uma infinidade de novos negócios criativos e inovadores que estão surgindo na internet a todo instante, me lembrei de uma “pensata” que ouvi do John Battelle, um dos fundadores da revista Wired e empreendedorr pioneiro da Internet. Numa palestra recente em São Paulo ele disse que existe uma mudança fundamental entre a euforia da bolha de 1995-2001 com o momento atual de crescimento dos negócios na Internet. Antes uma empresa 100% digital era obrigada a investir milhões de dólares para aparecer. Hoje um bom negócio tem tudo para aparecer e pegar só no boca a boca digital. É claro que investir em links patrocinados ou mesmo em banners bem posicionados pode encurtar o caminho e gerar audiência. Mas mesmo quem investe em divulgação, hoje, consegue fazê-lo com muito mais eficiência.

Para ilustrar o raciocínio acima, John Batelli citou o exemplo do blog Boing Boing que em poucos meses atingiu a marca 500.000 usuários únicos. Nesse momento a maior preocupação dos seus fundadores era conseguir pagar uma conta de hospedagem do site no valor de 500 dólares por mês. Só isso. Nos tempos da bolha de Internet o custo de hospedagem era muito mais caro e para atingir a marca dos 500.000 usuários únicos por mês era preciso investir milhões de dólares em propaganda nas mídias de massa.

Para empresas 100% web, como essas do diretório acima, esse jogo mudou. Custos menores, consumidores conectados e cada vez mais dispostos a consumir online proporcionam uma mudança básica. Hoje os negócios 100% digitais podem dar lucro. E isso muda tudo.

02/10/2007

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O Dia do V



No início desse mês, os políticos italianos tiveram um bom exemplo do poder de mobilização dos consumidores da Era Digital. A partir de seu
blog, o polêmico comediante Beppe Grilo reuniu mais de 50 mil pessoas numa praça em Bologna para o Dia do Vafancullo - dispensa tradução - aos políticos de seu país.

Conseguiu, também, mais de 330 mil assinaturas, o suficiente para levar uma lista de reivindicações ao Congresso de seu país. Mais detalhes estão nas matérias, em inglês, do Chicago Tribune e do Int_Herald_Tribune.pdf. Ou na do El Pais, em espanhol.



Dica do meu amigo Zé Ruy, um calabrês inconformado com os políticos da sua velha Itália e do seu novo Brasil.

27/09/2007

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A construção de marca na Era Digital

Um grande legado que a Era Digital está deixando para o mundo dos negócios é o novo processo de construção de marcas. Antes, as empresas e seus marketeiros tinham mais domínio sobre a situação. O boca a boca era mais lento. Mas isso mudou. E o desenho abaixo é uma tentativa de ilustrar esse novo ambiente de negócios. No lado esquerdo estão as variáveis controladas pelos marketeiros. No lado direito, as novas variáveis, controladas por anônimos como você e eu.



Um exemplo de quem ignorou o lado direito do cone

O caso, já clássico, do alarme do Chevrolet Meriva do consumidor Alessandro Barbosa Lima ilustra bem esse novo ambiente. Ouvi o próprio Alessandro contando o ocorrido no Evento
Digital Age 2.0. Segundo ele, esse carro foi comprado com o alarme original de fábrica instalado. Mas o alarme só funciona nas portas laterais do carro. Se um ladrão entrar pelo porta-malas, o alarme não toca. O Alessandro teve um rádio furtado e ao acionar a GM recebeu a mensagem abaixo:

Solução oficial da GM

A GM não resolveu o problema do Alessandro. E nem o de outras pessoas

Página de Orkut



Mas outros consumidores com problemas similares entregavam na Internet uma solução detalhada de como evitar roubos pelo porta-malas em carros da GM. Conclusão. Um desconhecido consumidor da era digital resolveu o problema do Alessandro

“Esse é um típico faça vc mesmo, como evitar o roubo de porta malas, opções 1) por R$20,00 2) por R$ 0,50.

1) Com R$ 20,00, vc pode mandar colocar um interruptor (tipo aqueles que ficam no capô, na tampa do porta malas, dai é so ligar ele no alarme,dai se abrirem a tampa o alarme dispara

2) Com R$ 0,50, vc pode colocar duas arruelas, barrando o acesso ao mecanismo de abertura da tampa, quando a tampa é furada com chave de fenda, veja como:"


Nesse link, um fórum da Internet, está a solução super detalhada num passo a passo com fotos.

Um exemplo de quem está tentando conquistar o lado direito do cone

Um bom exemplo é o da Microsoft. A empresa está tentando estimular o lado direito do cone com ações como o Ócio 2007, o primeiro blog corporativo de produto da Microsoft no Brasil. O blog foi criado recentemente para o lançamento do pacote Office 2007 (Word, Excel, Power Point etc).



Conversei com Loredani Feltrin, Gerente de Produto da Microsoft. Ela me explicou, que “a idéia é aproximar a Microsoft dos seus consumidores criando uma mão dupla”. O blog Ócio 2007 pretende ajudar as pessoas, que hoje usam o Office 2007 para trabalhar ou estudar, a também usá-lo para se divertir. A palavra “negócio” significa ausência de ócio. Assim surgiu a idéia do blog, me explicou a Loredani. Achei o Ócio 2007 bem bacana. Traz downloads muito úteis. O "Churras Calculator”, por exemplo, é uma planilha em Excel que ajuda a calcular o custo de um churrasco. Sensacional.

É, porém, inegável que empresas como a Apple e o Google, concorrentes da Microsoft, estão na frente no quesito repercussão positiva no lado direito do cone do início desse post. Estão muito na frente, eu diria. Mas a Microsoft mostra que está correndo atrás do prejuízo. Iniciativas como o Ócio 2007 são exemplos legais disso. Resta saber se as pessoas vão aderir.

Conclusão

Na Era Digital o consumidor está assumindo o comando. Hoje ele encontra na Internet ambiente e ferramentas que lhe permitem expressar, rápida e consistentemente, sua satisfação ou insatisfação com as marcas. Sua postura está muito mais ativa. A tendência é que os marketeiros tenham um domínio cada vez menor sobre as suas marcas. E isso está associado a uma série de fatores que já foram objeto de posts nesse blog. É a cultura Snack. É o poder da Cauda Longa e o consequente fim dos grandes blockbusters. É a força do ativismo digital. É o “quinto poder” exercido por esse consumidor que compartilha, colabora e repercute. É o poder do consumidor na era digital. “É Nóis"

P.S.: O livro “Naked Conversations” é uma boa indicação de leitura para quem quiser se aprofundar no tema Blogs Corporativos. Foi escrito por um ex funcionário da própria Microsoft que gerenciava um blog corporativo da empresa no exterior.

05/09/2007

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O que o garoto do iPhone nos diz?

George Hotz, um garoto de 17 anos morador de Nova Jersey, conseguiu, com a ajuda de 4 amigos, desbloquear o seu iPhone. Ontem ele ganhou as manchetes de todo o mundo. Deu até entrevista para o Jornal da Globo. Vale explicar que a Apple fechou um acordo de exclusividade com a operadora de telefonia AT&T. Só os clientes da AT&T poderiam falar no iPhone. Mas o plano de celular do garoto era da T-Mobile. E aí ele foi à luta. Precisou de mais de 500 horas de trabalho para fazer o seu iPhone funcionar na T-Mobile. Seu
blog oferece um guia, passo a passo, de como fazer o mesmo (olhar na coluna da direita).



Mas o que esse garoto de 17 anos nos diz?

Além de ser mais uma prova do poder do consumidor na Era Digital, razão de existir desse blog, o episódio me diz que acordos como os da Apple com a AT&T estão com os dias contados. Para mim esse tipo de acordo é um jeito antigo de fazer negócios. É antipático. Pode até ser um bom negócio para Apple no curto prazo, mas acho que não tem vida longa. Mais cedo ou mais tarde garotos como o George Hotz descobrem uma saída que rapidamente se espalha no boca a boca digital.

Mas o maior prejuízo nesse caso é para a imagem da Apple. Uma empresa moderna, antenada e inovadora não deveria obrigar as pessoas a abrir uma conta na At&T para usar seu iPhone. Minha opinião. Isso mostra uma faceta antiquada da empresa. Não combina com o Zeitgeist dessa nova geração, que você vê nas propagandas da Apple usando seus iPods. Como já escrevi nesse blog, em referência a uma coluna do El Pais, “essa geração não compactua com o individualismo típico dos anos 90. Essa turma das comunidades virtuais, da Wikipedia e dos blogs tende a ser mais solidária, mais participativa e mais ativa que a geração passada. Nutrem a convicção, e a ilusão, de que ao agir dessa maneira podem ajudar a construir um mundo melhor. São entusiastas da abertura, da liberdade e da divisão do conhecimento”. Essa é a geração de garotos como o George Hotz.



O garoto na CNBC, em inglês. "Eu acredito que informação deveria ser livre"

28/08/2007

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A Current TV do Al Gore. Exploração ou democratização?

Ontem li a matéria de capa dessa edição da revista americana
Fast Company. É sobre o AL Gore. Não sobre o político que bateu na trave para ser o próximo presidente dos EUA. Nem sobre o ambientalista do filme Uma Verdade Inconveniente. Mas, sim, sobre o bem sucedido homem de negócios Al Gore. Muito boa a matéria. Dica do meu amigo Saulo.

O Al Gore...

... é acionista e conselheiro do Google desde que a empresa era um “nada”. Hoje o Google fatura bilhões de dólares e as ações dele, Al Gore, valem US$30 milhões.
... é, também, membro do conselho da Apple e tem US$6 milhões em ações da empresa.
... é chairman e co-fundador do Generation Investment Management, um fundo de investimentos que só compra ações de empresas sustentáveis.
... ganha $175.000 para dar palestras em empresas (Escolas e ONGs podem receber a palestra dele de graça ou com algum desconto)
... vende livros. Já escreveu 9. Segundo Al Gore, todo o lucro que ele obtém com o livro e o filme Uma Verdade Inconveniente vai para o The Alliance For Climate Protection, uma associação fundada por ele próprio.
... é chairman e co-fundador da Current TV. E é do Current TV que eu quero falar nesse post.



O Current TV é um canal de TV segmentada distribuído a cabo ou via satélite para 46 milhões de residências nos Eua, Inglaterra e Irlanda. Foi fundado em agosto de 2005 por Al Gore e pelo empresário John Hyatt com a visão de democratizar a mídia. Nele produtores independentes e amadores, como eu e você, submetem vídeos jornalísticos (ou propagandas) através de um website. Se as pessoas da comunidade e os produtores da TV gostarem, o programa vai ao ar na TV e quem produziu o vídeo recebe uma grana. O valor pago pela Current TV aos produtores é negociado caso a caso. Todos os programas jornalísticos da Current TV, os Pods, seguem o padrão Snack Culture, ou seja, são muito rápidos. Duram de um a oito minutos cada um.

Interessante que as pessoas também podem produzir propaganda no Current TV. Empresas como Toyota e Loreal deixam seus briefings no site, por exemplo. As pessoas produzem os filmes publicitários que se veiculados rendem US$1.000 para quem os produziu. Se o anunciante decidir veicular o filme em outros lugares, o produtor pode ganhar até US50.000 mil, segundo a Current TV.


Esse comercial da Mountam View está passando no Current TV


No Brasil o Grupo Abril acabou de lançar o FizTV, o que me parece uma tentativa de criar algo similar ao Current TV. Por enquanto o Fiz TV está só na Web e mais parece um You Tube brasileiro. Mas no site está dito que o canal estará em breve na TV.(o leitor Antonio me diz que acabou de começar a passar na operadora TVA)

Uma das vantagens competitivas do modelo de negócios do Current Tv é o baixíssimo custo de produção. “Ninguém acreditava quão baixo eram os nossos custos de produção e como era bom o nosso modelo de negócios”, disse AL Gore sobre os investidores que eram apresentados ao projeto.

Exploração ou democratização?

Uma questão porém me intriga. Será que iniciativas como essa da Current TV e do Fiz TV são projetos genuínos de democratização dos meios de comunicação que proporcionaram oportunidades para os novos talentos? Ou são uma forma de exploração de mão de obra barata? No fundo eu acho que são as duas coisas. Pelo menos, os jovens de ontem entravam no mercado de trabalho necessariamente como “estagiários do fax”. Hoje eles já podem revelar seu talento e ganhar visibilidade no Current TV ou no Fiz TV. Em breve veremos vencedores de Oscar agradecendo ao You Tube pelo início de suas carreiras. Acho que esse saldo é positivo. E você o que acha?

22/08/2007

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