Ricardo Cianciaruso é economista pela FEA-USP, publicitário pela ESPM e com especialização em marketing pela UCLA. Seu blog, “É Nóis”, é dedicado ao incrível poder de compartilhar, colaborar e interagir do consumidor hoje.

 
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A Current TV do Al Gore. Exploração ou democratização?

Ontem li a matéria de capa dessa edição da revista americana
Fast Company. É sobre o AL Gore. Não sobre o político que bateu na trave para ser o próximo presidente dos EUA. Nem sobre o ambientalista do filme Uma Verdade Inconveniente. Mas, sim, sobre o bem sucedido homem de negócios Al Gore. Muito boa a matéria. Dica do meu amigo Saulo.

O Al Gore...

... é acionista e conselheiro do Google desde que a empresa era um “nada”. Hoje o Google fatura bilhões de dólares e as ações dele, Al Gore, valem US$30 milhões.
... é, também, membro do conselho da Apple e tem US$6 milhões em ações da empresa.
... é chairman e co-fundador do Generation Investment Management, um fundo de investimentos que só compra ações de empresas sustentáveis.
... ganha $175.000 para dar palestras em empresas (Escolas e ONGs podem receber a palestra dele de graça ou com algum desconto)
... vende livros. Já escreveu 9. Segundo Al Gore, todo o lucro que ele obtém com o livro e o filme Uma Verdade Inconveniente vai para o The Alliance For Climate Protection, uma associação fundada por ele próprio.
... é chairman e co-fundador da Current TV. E é do Current TV que eu quero falar nesse post.



O Current TV é um canal de TV segmentada distribuído a cabo ou via satélite para 46 milhões de residências nos Eua, Inglaterra e Irlanda. Foi fundado em agosto de 2005 por Al Gore e pelo empresário John Hyatt com a visão de democratizar a mídia. Nele produtores independentes e amadores, como eu e você, submetem vídeos jornalísticos (ou propagandas) através de um website. Se as pessoas da comunidade e os produtores da TV gostarem, o programa vai ao ar na TV e quem produziu o vídeo recebe uma grana. O valor pago pela Current TV aos produtores é negociado caso a caso. Todos os programas jornalísticos da Current TV, os Pods, seguem o padrão Snack Culture, ou seja, são muito rápidos. Duram de um a oito minutos cada um.

Interessante que as pessoas também podem produzir propaganda no Current TV. Empresas como Toyota e Loreal deixam seus briefings no site, por exemplo. As pessoas produzem os filmes publicitários que se veiculados rendem US$1.000 para quem os produziu. Se o anunciante decidir veicular o filme em outros lugares, o produtor pode ganhar até US50.000 mil, segundo a Current TV.


Esse comercial da Mountam View está passando no Current TV


No Brasil o Grupo Abril acabou de lançar o FizTV, o que me parece uma tentativa de criar algo similar ao Current TV. Por enquanto o Fiz TV está só na Web e mais parece um You Tube brasileiro. Mas no site está dito que o canal estará em breve na TV.(o leitor Antonio me diz que acabou de começar a passar na operadora TVA)

Uma das vantagens competitivas do modelo de negócios do Current Tv é o baixíssimo custo de produção. “Ninguém acreditava quão baixo eram os nossos custos de produção e como era bom o nosso modelo de negócios”, disse AL Gore sobre os investidores que eram apresentados ao projeto.

Exploração ou democratização?

Uma questão porém me intriga. Será que iniciativas como essa da Current TV e do Fiz TV são projetos genuínos de democratização dos meios de comunicação que proporcionaram oportunidades para os novos talentos? Ou são uma forma de exploração de mão de obra barata? No fundo eu acho que são as duas coisas. Pelo menos, os jovens de ontem entravam no mercado de trabalho necessariamente como “estagiários do fax”. Hoje eles já podem revelar seu talento e ganhar visibilidade no Current TV ou no Fiz TV. Em breve veremos vencedores de Oscar agradecendo ao You Tube pelo início de suas carreiras. Acho que esse saldo é positivo. E você o que acha?

22/08/2007

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Olho nesse garoto


Só sorriso na Newsweek

No Brasil a comunidade social que pegou foi o Orkut. Nos EUA foi o MySpace. Foi? A última mania entre americanos, sobretudo universitários, é o
Facebook. Essa semana o Facebook é a capa da revista Newsweek. Em Maio foi capa da revista de negócios Fast Company. Na época o seu fundador Mark Zuckerberg, que tem apenas 23 anos, havia recusado uma proposta de venda para o Yahoo no valor de US$ 1 bilhão. Ousado o garoto, né? Interessante que Zuckerberg insiste em dizer que o Facebook não é uma comunidade social. É, sim, uma ferramenta para facilitar o fluxo de informação entre amigos, familiares e colegas de trabalho.


Mais sorriso na Fast Company

A comunidade nasceu e cresceu na Universidade de Harvard. Já tem 35 milhões de usuários ativos. Ela ainda é menor que o MySpace com 70 milhões de gente ativa. Talvez ela seja sempre menor. O ponto é que hoje o Facebook é visto como um lugar freqüentado por gente mais bacana. Passa-me a impressão que o Facebook é aquele barzinho mais badalado.

Dizem que uma das razões do sucesso do Facebook é que ele permite aos seus usuários construir novos aplicativos dentro da comunidade. É uma espécie de software livre onde os usuários mais “geeks” constroem coisas novas e dividem isso com as outras pessoas. Por isso o Facebook tem muitas ferramentas. Tem mais novidades. Tem, enfim, muito mais recursos. Ele é muito mais dinâmico que o Orkut, por exemplo.

A Newsweek dessa semana diz que o Facebook deverá abrir seu capital na bolsa de valores num prazo de dois anos e esse evento tem tudo para ser o maior IPO desde a abertura de capital do Google. Caramba. Vale ficar de olho nesse menino.

16/08/2007

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Boo-Box recebe aporte de US$ 300.000 para revolucionar a forma como produtores de site rentabilizam seu conteúdo. Será que vai pegar?



De olho no mercado mundial de links patrocinados contextuais, a brasileira
Boo Box anunciou no final de Julho uma primeira rodada de investimentos no valor US$ 300 mil. O aporte de recursos foi liderado pela empresa de venture capital Monashees Capital, um fato raro para sites de web 2.0 brasileiros. Sim. Nós estamos em 2007 e não em 1998.

Hoje a principal fonte de receita da web 2.0 é o link patrocinado. O modelo mais popular do mundo é o Ad Sense do Google. Outro modelo muito usado é o link associado aos programas afiliados de sites de comércio eletrônico como os da Amazon, E-bay, Submarino e Mercado Livre. Nesse caso o link pode gerar, também, uma comissão de vendas. A Boo-Box quer entrar aí.

Como funciona?

A Boo-Box associa um link patrocinado de comércio eletrônico ao desenho de uma caixinha laranja que ao ser clicada leva o leitor a vários produtos. A idéia é que ao olhar uma página, e ver a caixinha laranja, o leitor perceba naquele box um atalho para a compra. Eu diria que o Boo-Box é uma espécie de agregador de produtos de sites de e-commerce.



Ao contrário do modelo Google, no modelo Boo Box não existe inteligência artificial. Esse é, segundo seus fundadores, um dos grandes diferenciais da ferramenta. Quem decide quando e onde será inserido o link é o próprio blogueiro.

A idéia é muito legal. A caixinha muito bacana. É bonita. Me agrada a ambição global da empresa, que foi inclusive objeto de resenha do Tech Crunch, um famoso blog do Vale do Silício. Mas o maior problema que eu vejo nesse tipo de link contextualizado é a questão da independência editorial associada a credibilidade de incluir um link comercial no meio de um texto. É verdade que no mundo dos blogs de entretenimento e das comunidades online talvez esse não seja um problema. Resta saber se as pessoas vão aderir.

Encontrei Marco Gomes, CTO da empresa e idealizador da ferramenta, e Marcos Tanaka, CEO, num evento sexta-feira passada em São Paulo. No link abaixo, eles explicam o que é o Boo-Box, contam detalhes sobre a idéia e falam do aporte de capital que receberam. Ouça e deixe a sua opinião.


11/08/2007

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Até o iPhone

Como já
dito nesse blog, Blendtec é uma empresa que fabrica liquidificadores. Seu CEO, Tom Dickson, faz pessoalmente o marketing guerrilha da empresa ao triturar os mais absurdos objetos no You Tube. Ele já esmigalhou uma bola de baseball, uma câmera de vídeo, um desentupidor de pia, um taco de golfe, 53 carrinhos match box, diamantes falsos, um iPod etc. Agora foi a vez do iPhone.

Will it Blend?


09/08/2007

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Cambrian House, a casa da sabedoria das multidões

Se você tivesse uma sacada genial de um novo negócio, você colocaria a sua idéia na Internet? Claro que não, né? Mas é justamente isso o que propõe o site canadense
Cambrian House. Segundo eles, nada melhor do que a sabedoria da multidão para ajudar quem tem boas idéias, mas não tem know-how para a execução.

Descobri o Cambrian House na revista americana Business 2.0 desse mês, que cita o site como um dos modelos de negócios de Web 2.0 mais inovadores do mundo. É um negócio para ficar de olho, segundo a revista. Se vai dar certo ninguém sabe, mas que é inovador eu não tenho a menor dúvida. Esse site contraria o instinto empreendedor de qualquer um. Mas faz sentido.

Como funciona?




Você tem uma grande sacada. A multidão avalia a sua idéia em eliminatórias semanais. A cada semana uma idéia é eleita pela comunidade. Todo trimestre as 12 idéias vencedoras da semana e mais algumas escolhidas por um painel de experts é sabatinada. O vencedor do trimestre é submetido aos investidores. Se tudo der certo e o produto ou serviço for comercializando, você fatura e paga “royalties” para quem te ajudou. Nesse processo os empreendedores da comunidade se ajudam entre si e trocam trabalho por “royalties” se tudo der certo.

Mandei um e-mail para eles pedindo um bom exemplo de um negócio nascido e construído na comunidade. Me sugeriram um videogame de computador chamado Gwabs. O produto parece bem feito.

Crowdsourcing” - segundo a Wikipedia, a palavra foi usada pela primeira vez em Junho de 2006 num artigo da revista WIRED que falava do crescimento da terceirização de tarefas para a multidão na Internet.

09/08/2007

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A internet participativa é uma picaretagem?




Hoje o assunto do almoço aqui na editora foi a
polêmica entrevista publicada na revista Época em que Andrew Keen, “pensador” inglês e autor do livro The Cult of The Amateur, destrói a Web 2.0. Recomendo à pequena porém fiel comunidade que freqüenta esse blog a leitura dessa entrevista. Já aviso que o cara é radical e negativista. Não gostei da maneira conclusiva e taxativa como ele coloca o ponto de vista dele sobre a Web 2.0, mas a entrevista não deixa de ser um bom contraponto a alguns dos temas que aparecem nesse blog.

Aproveito o post para dizer que desde que comecei esse blog sou um entusiasta do poder de colaborar, interagir e se comunicar das pessoas da Era Digital. Ao contrário do Andrew Keen, acho que a Web 2.0 é um baita instrumento de democratização da cultura, do conhecimento e do marketing. Acho também que os desdobramentos desse poder não estão apenas na Web 2.0. Esse blog pretende ir além disso. Hoje o consumidor ganhou poder pois pode atropelar os intermediários (veja o caso ZOPA), pode produzir conteúdo, pode formar opinião na Web (é o tal quinto poder), pode se organizar em comunidades, pode acessar cada dia mais informações a ponto de conversar de igual para igual com médicos e advogados. Pode consumir o que quiser, quando quiser e na hora em que quiser (veja o exemplo do RSS).

E você o que acha? Dá para acreditar na Web 2.0 ?

06/08/2007

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O mundo mudou



Não! A África alagada não tem nada a ver com o aquecimento global. Esse interessante mapa-múndi publicado pela revista americana Business 2.0 mostra o nosso planeta com base em dois parâmetros:

1. Número de usuários de Internet
O tamanho de cada país é proporcional a quantidade de seus internautas.

2. Percentual de internautas
Quando mais verde-escuro, maior é o percentual de usuários do país. E quanto mais verde claro, menor é o percentual de gente na Internet.

O Brasil aparece em verde clarinho com 32 milhões de usuários e 17.2% da população conectada. Notem como Japão, Coréia do Sul e Taiwan engordaram. A Suécia com quase 7 milhões de pessoas é um dos países com maior proporção de usuários. São 75,6% de suecos online. Já a China tem apenas 10,9% de usuários que são 144 milhões de pessoas. Os EUA é, ainda, o maior mercado digital do mundo com 211 milhões de internautas.

No site da Business 2.0, você pode clicar no mapa e conferir todas as estatísticas, país a país.


03/08/2007

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O mapa das tendências da Internet



O desenho de um mapa de metrô com os 200 sites de maior sucesso da Internet vem sendo publicado, “postado” e comentado em sites e blogs do mundo inteiro nos últimos dias. É meio complicado, mas pegou. Foi inspirado no metrô de Tóquio e criado pela Information Architects, uma agência de design japonesa.

O mapa assusta pela complexidade e riqueza de detalhes. É uma coisa de maluco. Mas é legal pacas. Cada linha de metrô tem uma cor, que representa uma espécie de categoria (notícias, comunidades, músicas, sites rentáveis... etc.). As estações são os sites. Se um site está no cruzamento de duas linhas, ele pertence a mais de uma categoria. Cada site recebe uma classificação: web 1.0 (nenhuma interatividade), web 1.5 (alguma interatividade) e web 2.0 (conteúdo gerado pelo usuário). Cada estação tem ainda uma previsão do tempo, que vai do “Unreal” (sol duplo) ao “Storm” (tempestade).



Vale notar que...

- Na linha de comunidades o sol duplo brilha para o Facebook, Twitter, StumbleUpon, Skype e Linkdin. O Orkut tem um sol. Já o Second Life e o MySpace enfrentam suas nuvenzinhas (esse post traz alguns dos motivos)

- O tempo anda meio fechado para os lados da Microsoft e do Yahoo.

- O sol do Google brilha forte para o Gmail, You Tube, AdSense e Blogger

- Eu nunca tinha visto o Baidu, o Google chinês. Vale ver.

Você concorda essa tabela periódica dos japoneses da iA? Achou o Wally? Viu algo de legal que vale dividir com os leitores desse Blog?

Para a navegação ficar mais legal, vale passar o mouse nas estações para um pré-visualização dos sites (snapshot).

01/08/2007

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ZOPA, um banco cidadão


Você sabe o que é “Social Lending”? Eu não sabia. Mas na semana passada descobri o ZOPA, um site inglês dedicado a isso. Adorei. O
ZOPA aproxima quem está precisando de dinheiro daqueles que querem emprestar dinheiro. É o chamado empréstimo “peer to peer” ou “person to person”.

O consumidor da era digital está mesmo tirando os intermediários do meio do caminho. Nesse caso o ZOPA tira os bancos do meio do caminho. E como o ZOPA não tem o custo de overhead de um banco, consegue taxas melhores para ambas as partes.

Achei o modelo de negócios super transparente. Quem pega dinheiro emprestado paga 0,5% ao ZOPA no ato do empréstimo. Quem empresta (ou aplica) paga uma taxa de administração de 0,5% a ano. O risco é diversificado, pois o ZOPA aloca o dinheiro de quem empresta no bolso de várias pessoas. Por exemplo, 500 Libras emprestadas vão para 50 pessoas diferentes. 150.000 pessoas já utilizam esse serviço na Inglaterra.

Esse vídeo da BBC, em inglês, explica bem como funciona.



P.S: Nos EUA existe um serviço que é mais ou menos similar ao ZOPA. Chama-se PROSPER e é conhecido como o E-bay dos empréstimos, pois trabalha num esquema de leilão.

27/07/2007

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