Ricardo Cianciaruso é economista pela FEA-USP, publicitário pela ESPM e com especialização em marketing pela UCLA. Seu blog, “É Nóis”, é dedicado ao incrível poder de compartilhar, colaborar e interagir do consumidor hoje.

 
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A construção de marca na Era Digital

Um grande legado que a Era Digital está deixando para o mundo dos negócios é o novo processo de construção de marcas. Antes, as empresas e seus marketeiros tinham mais domínio sobre a situação. O boca a boca era mais lento. Mas isso mudou. E o desenho abaixo é uma tentativa de ilustrar esse novo ambiente de negócios. No lado esquerdo estão as variáveis controladas pelos marketeiros. No lado direito, as novas variáveis, controladas por anônimos como você e eu.



Um exemplo de quem ignorou o lado direito do cone

O caso, já clássico, do alarme do Chevrolet Meriva do consumidor Alessandro Barbosa Lima ilustra bem esse novo ambiente. Ouvi o próprio Alessandro contando o ocorrido no Evento
Digital Age 2.0. Segundo ele, esse carro foi comprado com o alarme original de fábrica instalado. Mas o alarme só funciona nas portas laterais do carro. Se um ladrão entrar pelo porta-malas, o alarme não toca. O Alessandro teve um rádio furtado e ao acionar a GM recebeu a mensagem abaixo:

Solução oficial da GM

A GM não resolveu o problema do Alessandro. E nem o de outras pessoas

Página de Orkut



Mas outros consumidores com problemas similares entregavam na Internet uma solução detalhada de como evitar roubos pelo porta-malas em carros da GM. Conclusão. Um desconhecido consumidor da era digital resolveu o problema do Alessandro

“Esse é um típico faça vc mesmo, como evitar o roubo de porta malas, opções 1) por R$20,00 2) por R$ 0,50.

1) Com R$ 20,00, vc pode mandar colocar um interruptor (tipo aqueles que ficam no capô, na tampa do porta malas, dai é so ligar ele no alarme,dai se abrirem a tampa o alarme dispara

2) Com R$ 0,50, vc pode colocar duas arruelas, barrando o acesso ao mecanismo de abertura da tampa, quando a tampa é furada com chave de fenda, veja como:"


Nesse link, um fórum da Internet, está a solução super detalhada num passo a passo com fotos.

Um exemplo de quem está tentando conquistar o lado direito do cone

Um bom exemplo é o da Microsoft. A empresa está tentando estimular o lado direito do cone com ações como o Ócio 2007, o primeiro blog corporativo de produto da Microsoft no Brasil. O blog foi criado recentemente para o lançamento do pacote Office 2007 (Word, Excel, Power Point etc).



Conversei com Loredani Feltrin, Gerente de Produto da Microsoft. Ela me explicou, que “a idéia é aproximar a Microsoft dos seus consumidores criando uma mão dupla”. O blog Ócio 2007 pretende ajudar as pessoas, que hoje usam o Office 2007 para trabalhar ou estudar, a também usá-lo para se divertir. A palavra “negócio” significa ausência de ócio. Assim surgiu a idéia do blog, me explicou a Loredani. Achei o Ócio 2007 bem bacana. Traz downloads muito úteis. O "Churras Calculator”, por exemplo, é uma planilha em Excel que ajuda a calcular o custo de um churrasco. Sensacional.

É, porém, inegável que empresas como a Apple e o Google, concorrentes da Microsoft, estão na frente no quesito repercussão positiva no lado direito do cone do início desse post. Estão muito na frente, eu diria. Mas a Microsoft mostra que está correndo atrás do prejuízo. Iniciativas como o Ócio 2007 são exemplos legais disso. Resta saber se as pessoas vão aderir.

Conclusão

Na Era Digital o consumidor está assumindo o comando. Hoje ele encontra na Internet ambiente e ferramentas que lhe permitem expressar, rápida e consistentemente, sua satisfação ou insatisfação com as marcas. Sua postura está muito mais ativa. A tendência é que os marketeiros tenham um domínio cada vez menor sobre as suas marcas. E isso está associado a uma série de fatores que já foram objeto de posts nesse blog. É a cultura Snack. É o poder da Cauda Longa e o consequente fim dos grandes blockbusters. É a força do ativismo digital. É o “quinto poder” exercido por esse consumidor que compartilha, colabora e repercute. É o poder do consumidor na era digital. “É Nóis"

P.S.: O livro “Naked Conversations” é uma boa indicação de leitura para quem quiser se aprofundar no tema Blogs Corporativos. Foi escrito por um ex funcionário da própria Microsoft que gerenciava um blog corporativo da empresa no exterior.

05/09/2007

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O que o garoto do iPhone nos diz?

George Hotz, um garoto de 17 anos morador de Nova Jersey, conseguiu, com a ajuda de 4 amigos, desbloquear o seu iPhone. Ontem ele ganhou as manchetes de todo o mundo. Deu até entrevista para o Jornal da Globo. Vale explicar que a Apple fechou um acordo de exclusividade com a operadora de telefonia AT&T. Só os clientes da AT&T poderiam falar no iPhone. Mas o plano de celular do garoto era da T-Mobile. E aí ele foi à luta. Precisou de mais de 500 horas de trabalho para fazer o seu iPhone funcionar na T-Mobile. Seu
blog oferece um guia, passo a passo, de como fazer o mesmo (olhar na coluna da direita).



Mas o que esse garoto de 17 anos nos diz?

Além de ser mais uma prova do poder do consumidor na Era Digital, razão de existir desse blog, o episódio me diz que acordos como os da Apple com a AT&T estão com os dias contados. Para mim esse tipo de acordo é um jeito antigo de fazer negócios. É antipático. Pode até ser um bom negócio para Apple no curto prazo, mas acho que não tem vida longa. Mais cedo ou mais tarde garotos como o George Hotz descobrem uma saída que rapidamente se espalha no boca a boca digital.

Mas o maior prejuízo nesse caso é para a imagem da Apple. Uma empresa moderna, antenada e inovadora não deveria obrigar as pessoas a abrir uma conta na At&T para usar seu iPhone. Minha opinião. Isso mostra uma faceta antiquada da empresa. Não combina com o Zeitgeist dessa nova geração, que você vê nas propagandas da Apple usando seus iPods. Como já escrevi nesse blog, em referência a uma coluna do El Pais, “essa geração não compactua com o individualismo típico dos anos 90. Essa turma das comunidades virtuais, da Wikipedia e dos blogs tende a ser mais solidária, mais participativa e mais ativa que a geração passada. Nutrem a convicção, e a ilusão, de que ao agir dessa maneira podem ajudar a construir um mundo melhor. São entusiastas da abertura, da liberdade e da divisão do conhecimento”. Essa é a geração de garotos como o George Hotz.



O garoto na CNBC, em inglês. "Eu acredito que informação deveria ser livre"

28/08/2007

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