Ricardo Cianciaruso é economista pela FEA-USP, publicitário
pela ESPM e com especialização em marketing pela UCLA. Seu blog, “É Nóis”, é
dedicado ao incrível poder de compartilhar, colaborar e interagir do consumidor hoje.
O Google tem US$10 milhões para você (...e o pioneiro exemplo da Goldcorp)
Uma semana após anunciar seu sistema operacional para celulares, o Android, o Google lança um concurso que vai dar U$10 milhões em prêmios para quem construir aplicativos de celular que “surpreendam” e “deleitem” seus usuários. É o “Android Developer Challenge” (todos os detalhes no link anterior)
Para empresas como o Google, o chamado “Crowdsourcing” - ou terceirização para multidão - já faz parta do dia a dia. Está no DNA da empresa. Para mim o caso mais emblemático desse tipo de iniciativa, citado em livros como o Wikinomics e Mavericks at Work, é o da mineradora canadense Goldcorp. Se você achou essa iniciativa do Google interessante, vale conhecer o pioneiro exemplo da Goldcorp.
O caso Goldcorp
O ano era 1999. A, então, pequena mineradora com sede em Toronto, Canadá, vivia uma situação delicada. O mercado estava retraído. A empresa lutava para gerenciar suas próprias dívidas em meio a seguidas greves de funcionários e altíssimos custos de produção. Sem muita perspectiva para pesquisar e prospectar novas minas de ouro em sua propriedade, analistas diziam que a Goldcorp estava morrendo. Para piorar (ou melhorar) a situação, seu dono e CEO, Rob McEwen, não tinha muita experiência no mercado de mineração.
Foi então que ele resolveu tirar alguns dias para participar de uma conferência com outros presidentes de empresa no MIT. Lá ficou encantado com o caso de software livre do Linux. Inspirado nesse espírito de abertura e colaboração, McEwen teve uma idéia ousada. Se os funcionários da Goldcorp não tem condições de pesquisar e prospectar novas minas ouro, talvez alguém tenha, pensou ele.
Decidiu, então, colocar na internet todas as informações possíveis e imagináveis sobre os 55.000 acres da Goldcorp. Plantas geológicas, fotos, dados sobre a região, informações sobre as minas já existentes...etc. Na época isso era uma loucura. Sigilo, confidencialidade e proteção a informação eram características marcantes dessa indústria. Com tudo aberto na Internet, a empresa criou um concurso, o Goldcorp Challenge, que prometia distribuir U$575.000 em prêmios para quem enviasse os melhores métodos e estimativas para prospecção de ouro na propriedade da Goldcorp. A corrida ao ouro da era digital estava lançada.
A empresa apostava que a iniciativa encontraria alguma ressonância apenas entre os geólogos. Porém, os projetos chegaram de estudantes, consultores, militares e matemáticos. “Nós aplicamos matemática, física avançada, computação gráfica, sistemas inteligentes, equações orgânicas e inorgânicas. Ali haviam competências que eu nunca havia visto antes na indústria” afirmou McEwen a época. Foram identificados 110 pontos potencias de extração na propridade, 50% desses pontos jamais haviam sido identificados pela emrpesa. Mais de 80% desses pontos tinham significante quantidade de ouro.
Estima-se que o concurso proporcionou um economia de 2 a 3 anos de trabalho da empresa. A iniciativa alavancou os negócios da Goldcorp. A problemática coorporação que na época faturava US$100 milhões de dólares, hoje fatura U$2 bilhões.
Rob McEwen, um inovador
Acho esse tipo de exemplo fascinante. Uma empresa quase falida, que dá a volta por cima a partir de uma idéia criativa de um empreendedor inovador e ousado.
Mais sobre o Google
Voltando ao exemplo do Google, o tempo vai dizer se o Google conseguirá, com a ajudada de anônimos, avançar alguns anos em poucos meses nesse fervilhante mundo de aplicativos para celular. Eu acho que vai.
Para saber mais sobre a iniciativa do Google, abaixo está o vídeo oficial em que o desafio é lançado:
Anunciado o clube a ser comprado pelo MyFootballClub
Atualizando o post sobre o MyFootballClub, foi anunciado hoje o time a ser comprado. É o Ebbsfleet United FC. O time ocupa, atualmente, a nona colocação no campeonato da “Conference”, o equivalente a 5° divisão do futebol inglês. O MyFootballClub é uma comunidade que pretende revolucionar o futebol ao criar um clube gerido democraticamente - dentro e fora de campo - pelos seus torcedores.
O escudo do Ebbsfleet United FC
Dos 53 mil torcedores inicialmente inscritos no site, aproximadamente 20 mil efetivaram o seu pagamento de 35 libras. Esse valor foi suficiente para estruturar a negociação. O site continua aberto para a adesão (e pagamento) de novos torcedores. O acordo só será efetivado nas próximas semanas, após uma “due diligence” que os representantes do MyFootballClub farão no Ebbsfleet United FC.
Para sair da “Conference” (5° divisão) e um dia chegar na “Premier League” (1° divisão), o time terá que passar pela “League Two” (4° divisão), “League One” (3° divisão) e pela “Championship” (2° divisão). Será que os torcedores vão conseguir?
Mais informações estão nas matérias do Telegraph e da BBC. Ambas em inglês.
Viver em Nova York é muito caro. Pegar um táxi de casa até o aeroporto pode custar de U$ 30 a U$ 100. Uma boa facada, né? Mas para aqueles que não querem gastar tudo isso, existe o Hitchsters.com, um serviço criativo que permite às pessoas “racharem” corridas de táxi com os seus vizinhos desconhecidos. É o poder de colaboração do consumidor da era digital. É Nóis!
O usuário do Hitchsters.com digita data, hora e dia do seu vôo no site. Aí aguarda aparecerem outros usuários, que moram por perto e queiram “rachar” um táxi para o aeroporto em horário parecido. Haja criatividade. Confesso que para a minha geração é difícil comprar uma idéia dessas. Mas aposto que para os meus filhos isso pode ser muito natural.
Gloria Crawford e seu marido, Terry Crawford, os fundadores do negócio
O serviço, que vai comemorar 1 ano de vida em novembro, já funciona para moradores de Manhattan e do Brooklyn. É interessante notar que o Hitchsters.com confessa que ainda não sabe como vai ganhar dinheiro. Talvez com publicidade? O sincero trecho abaixo, extraído da FAQ do site, é engraçado.
“How does hitchsters.com make money?
We are trying to figure that out. Let us know if you would like to advertise with us – we think a lot of pretty cool people look at our site.”
Até agora o site não tem propaganda. Mas se o serviço conquistar massa crítica, eu acho que existem “n” empresas dispostas a patrocinar esse tipo de ajuda para o controle de emissão de gás carbônico. Será?
Esse post foi uma dica do Guilherme, leitor desse blog. Não conhecia esse serviço. Valeu. Tudo a ver com o "É Nóis".
Ontem estive no 2° Meeting Brasileiro de Assessoria de Imprensa e Relações com a Mídia. Lá tive o prazer de fazer uma apresentação sobre esse tal “Poder do Consumidor na Era Digital”, que é a razão de existir desse blog.
Pode-se dizer que a apresentação foi um raciocínio mais organizado do que venho postando nesse blog desde abril de 2007. Para fazer o download do Power Point basta clicar no link abaixo:
O vídeo abaixo já é um “case” do poder das pessoas comuns na era digital. Foi filmado pelo turista David Budzinski e postado no You Tube pelo usuário Jason275. Mostra a batalha de um grupo de búfalos contra leões na reserva de Kruger, na África do Sul.
A cena já atraiu mais de 18 milhões de visualizações no You Tube e a sua popularidade cresce a cada nova veiculação na mídia, blogs e sites espalhados ao redor do mundo. Já é o vídeo mais visto do mundo, em todos os tempos, na categoria animais do You Tube.
Colocar um produto em evidência é uma das missões mais importantes de um profissional de marketing. No passado, as principais armas de comunicação estavam na mídia tradicional: TV, Rádio, Jornal e Revistas. Ano após ano, esse repertório de armas de comunicação vem aumentando. O último “buzz” da comunicação é o chamado viral de internet.
Ontem tomei conhecimento do viral da Gaivota que come Doritos. Diz a lenda que uma gaivota desenvolveu o hábito de, todos os dias, roubar um pacotinho de Doritos sabor queijo numa loja de conveniência da Escócia. Ainda tenho as minhas dúvidas se essa Gaivota não é uma criativa ação de marketing de guerrilha da Elma Chips mundial. Mas a Edelman, empresa de relações públicas que atende a marca Doritos no Brasil, diz que esse vídeo chegou aqui por acaso. “Se fosse algo pré-fabricado, nós receberíamos um pedido formal do exterior para divulgá-lo”, afirma Thiane Loureiro, gerente da Edelman. Independentemente dessa dúvida, o fato concreto é que essa história espalhou. Milhares de pessoas já viram essa simpática gaivota que come Doritos em blogs, sites e até na televisão. Pegou.
Deu num telejornal escocês
A Gaivota espera o atendente se distrair, entra na loja e agarra um pacotinho de Doritos Deu no inglês “The SUN”
Por algum motivo, ela só rouba Doritos sabor queijo
Um amigo que trabalha numa grande agência de publicidade diz que 99% de seus clientes pedem “um viralzinho”. Virou moda. Mas, como dito em outro post deste blog, não dá para encomendar um viral. Isso é quase impossível. É como combinar a jogada ensaiada com os russos, como disse Garrincha para Feola em 1958. O boca aboca digital depende da adesão popular, e isso não dá para ser encomendado.
Verdadeiro ou não, esse viral da Gaivota que come Doritos pegou.
Homepage do Newser, o agregador feito por jornalistas
Recebi de um amigo o link da Newser, um novo agregador de notícias fundado por Michael Wolff colunista de mídia da revista Vanity Fair. Gostei. Ainda só existe em inglês, mas vale conhecer. O Newser tem dois grandes diferenciais:
1. Inteligência natural É um ser humano, e não uma programação dotada de inteligência artificial com a do Google News, quem decide o que é mais importante e por isso deve ir para a homepage do agregador. Esse ser humano é um editor, que faz ainda um resumo da notícia com link para aqueles leitores que quiserem se aprofundar.
2. Personalização O leitor pode personalizar a sua homepage usando um criativo termômetro que mede o “hard news” e o “soft news”. Simples e muito legal.
Ao navegar pelo Newser me dei conta da importância de “agregar” como um novo conceito fundamental da era digital. Já existem “n” exemplos recentes de produtos editorias, cuja principal pegada é a de agregar. Tem os agregadores de RSS como o iGoogle ou o Netvibes. Tem os agregadores escritos por jornalistas como o The Ag da TIME, os briefings da SLATE, a notícia em 360° de Época Negócios ou o “O Filtro” de Época. Tem sites, como Digg.com, que faz da multidão a inteligência agregadora. Até no mundo impresso surgiram revistas, como a inglesa The Week ou a Revista da Semana, cuja proposta principal de valor editorial é esse conceito de agregar.
Conclusão
Antes um leitor precisava fuçar, vasculhar, descobrir e encontrar as notícias que lhe interessavam em várias publicações diferentes. Dava um trabalhão. Hoje as notícias podem vir até as pessoas de modo resumido, hierarquizado, personalizado e com links para múltiplas fontes de informação. Agregar parece ser o nome do jogo.